Provocadoras - Capítulo 2

Ele não sabia o que era fantasia e o que era realidade. A personagem já havia incorporada nela...

A casa estava lotada, o público era grande, platéia cheia.
Atrás das cortinas, ainda fechadas, Mariana.
Jovem, romantica, inexperiente. Mas confiante.
Ela coloca seu sapato, a última peça do seu figurino.
No palco ela perde a timidez, é fantástica.
Há quem diga que entre muitos ali na platéia, estão grandes roteiristas de novelas, todos querendo ver essa nova futura celebridade.
Nascida no interior, faz sucesso na cidade grande.
Mariana atropelou atrizes mais experientes com seu carisma, simpatia e beleza.
A peça que ela apresenta pela oitava e última vez, conta uma história que se passa nos anos 70.
A história de uma atriz de sucesso que esbanjava beleza e atraía todos os homens,
mas por obra do amor, ela era infeliz, pois vivia solteira e não conseguia amar ninguém.
Na primeira fila está sentado Felipe.
Um fotógrafo jovem, que poderia ter uma vida luxuosa,
nasceu em berço de ouro, mas é desapegado aos bens materiais.
Felipe chegou em seu carro novo, presente do pai,
que faz questão dele andar de carro novo, que é mais seguro,
mas quem o conhece duvidaria que ele tivesse um carro.
Apaixonado por arte, Felipe chega cedo ao teatro e consegue o tão sonhado lugar na primeira fila.
Mariana está com um vestido branco, com luvas, cabelo solto com uma faixa vermelha no cabelo.
Felipe está de blazer escuro e jeans.
E com sua inseparável câmera fotográfica na mão.
Ela é a estrela da noite, todos estão de olho nela.
Felipe é apenas mais um na plateia.
Mas ele está na primeira fila.
E por obra do acaso Mariana desvia seu olhar até Felipe.
Ela pára, esquece a fala.
Seu olhar está fixado nele.
Uma cena que poderia durar mais de um minuto se não fosse a rapidez do improviso dos colegas atores que estavam em cena.
Mariana retoma sua fala e continua sua encenação.
Felipe sorri.
Ele está gostando da peça.
Felipe também mantém seu olho fixo em Mariana.
Mesmo quando não é sua fala, ele continua olhando pra ela, admirando sua performace em segundo plano.
Felipe sabe que não iria se contentar apenas em vê-la durante o espetáculo.
Ele quer mais...
A peça acaba.
Os atores cumprimentam a platéia sob os aplausos efusivos.
Mariana tenta buscar Felipe mas a platéia se levantando em movimento atrapalha a atriz.
Felipe aplaude muito e segue para o lado de fora do teatro.
Ele sai apaixonado pela atriz e pensativo, se deveria levar aquilo à diante.
Do lado de fora, Felipe percebe que esqueceu de tirar uma foto sequer.
A caminho do estacionamento, um susto.
Seu carro não está lá.
Felipe foi roubado.
Pergunta para as pessoas à procura de uma testemunha, mas em vão.
Ele perdeu seu carro.
Felipe, que nunca ligou para o carro, volta pro Teatro.
Ele percebe que não deveria mesmo ter escolhido ir pra casa e sai a procura de Mariana.
Alguém diz à ele que ela ja saiu.
Felipe vê Mariana virando a esquina de carro, e indo embora.
Ele ameaça correr, mas não tem como segui-lá.
E Felipe volta pra casa...
Sem carro, sem foto, sem Mariana.
Felipe, que estava acostumado a ver peças de teatro e muitas atrizes, tenta entender o que Mariana tinha que o atraiu.
Ele pensa que poderia ter se apaixonado pela personagem e não pela atriz, tentando se consolar.
Mas percebe que, todas as atrizes deixam sua personagem no palco,
e atrás das cortinas, sem maquiagem, as atrizes perdiam seus brilhos.
Mas Mariana era diferente.
Ela não incorporava a personagem, mas a personagem a incorporava.
Todo homem sempre se apaixona por uma personagem,
que ele mesmo cria, se ilude.
E muitas vezes o amor acaba quando a cortina da ilusão se fecha, quando a maquiagem se dissolve, quando a máscara cai...

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